Agenda

Programação

31/12 - 21:00 - 21:00 -

agenda completa


Crô


Acostumado ao papel de mocinho, Marcelo Serrado interpretou dois vilões machistas na Record e não pensou duas vezes antes de aceitar o desafio proposto por Aguinaldo Silva. O autor de Fina Estampa queria um galã hétero para viver o mordomo gay Crodoaldo Vallério. “Só assim haveria surpresa, como de fato aconteceu”, justifica. O resultado está aí: a biba mais pintosa do Brasil é um sucesso – te mete!

O ator diz que, por não ter o menor problema com a sua masculinidade, mergulhou no papel sem medo de ser feliz. E buscou inspiração em muitas fontes. “Estava fazendo laboratório com o Sérgio Penna (preparador de elenco) e fomos a várias boates gays em São Paulo e no Rio”, conta ele. “Aí, pensei: ‘Engraçado esse topete do David (Alvarez, cantor e amigo). Vou botar no personagem!’ Perguntei se podia e David respondeu: ‘Se joga, biba!’ ” (Risos.) Marcelo segue enumerando: do maquiador Marcelo Gomes, que cuida de seu visual na novela, tem um pouco da voz. A corridinha é de Sean Penn no filme Milk, a Voz da Igualdade. A dedicação total à patroa, Tereza Cristina, vem do filme Santiago, de João Moreira Salles. “O Santiago trabalhou para a família Moreira Salles durante 30 anos e foi fundamental para minha composição. Nele, eu vi a paixão – faltava sentimento no Crô, raivas incontidas, idolatria, humilhação, gratidão e até um lado sapeca, que diverte as crianças. Tentei trazer meu personagem para o real. Talvez por isso agrade tanto ao público.” Por fim, toda semana ele tem sessão com a coach Kátia Ashkar, psicanalista e preparadora de elenco. Para a mãe, a decoradora Julinha Serrado, a volta à emissora carioca depois de seis anos na Record e num tipo tão diferente está sendo ótima para o filho. “Quando ele aparece, é um momento de relax na novela”, afirma. “Comédia é interessante porque o ator precisa ser inteligente, ter timing. E ele sempre foi obstinado.”

Aos 44 anos, Marcelo vive também um ótimo momento pessoal. Está de casamento marcado para o dia 3 de agosto com a professora de balé e pedagoga Roberta Fernandes, 28 anos. A cerimônia, à príncipe Harry e lady Kate, será na disputadíssima Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no centro do Rio; e o festão, na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. “Teve época em que eu saía com várias mulheres – e o que isso significava? Nada! Não tinha a menor importância”, revela. “A solteirice me deixa meio disperso. Quando estou comprometido, paro de sair à noite, foco mais no trabalho.” Pai de Catarina, 6 anos, do relacionamento com a atriz Rafaela Mandelli, 32, ele compartilha a guarda da filha e mantém uma relação saudável com a ex. “Moramos pertinho. Às segundas e terças, Catarina fica comigo; de quarta a sexta, com a mãe. Aos sábados e domingos, alternamos. Às vezes, um de nós precisa trocar – e tudo bem.” Marcelo parece um príncipe encantado, mas também tem lá suas imperfeições. Para dar conta da ansiedade, faz terapia, ioga e meditação. Quer perder 3 quilos e ganhar massa muscular, só que tem pouquíssimo tempo para ir à academia e sente uma falta danada de comer chocolate. Ele mostra, a seguir, que o melhor remédio para enfrentar tudo isso é sempre o bom humor.

Recebe muitas cantadas dos admiradores?

No começo, os gays me assediaram, mas sempre de maneira muito respeitosa. Ainda na época do laboratório, eu estava com uma amiga numa boate gay e perguntaram: “Vem cá, ele tá solteiro?” Ela respondeu: “Não é do babado”. E o cara, na hora, se tocou e saiu.

Com o ritmo das gravações e o pouco tempo para ficar com sua filha, você é um pai condescendente para compensar ou põe limites?

Criança implora para ou vir “não”. Se você deixa de educar, vira um pequeno chato e um adulto insuportável. Os pais são completamente culpados pela má educação dos filhos. Procuro fazer a minha parte, dar exemplo. Outro dia, pedi à empregada que me trouxesse alguma coisa, e a Catarina disse: “Pai, e as palavrinhas mágicas?” Eu me toquei e falei: “Por favor”. Passo valores, ensino: “Vai comer à mesa direitinho, com o papai, e depois escovar os dentes”. Claro, trabalho bastante, mas aproveito o nosso tempo juntos. Brincamos muito: conto até dez e ela se esconde; depois a gente inverte – é uma delícia.

Para usar shortinho e a calça grudada do Crô, é preciso manter a boa forma. Qual o segredo?

Faço dieta, não como mais besteira; pizza, só uma vez por semana. No dia a dia, muita fruta e salada; à noite, sopa. Sinto falta é de chocolate, mas engorda, né? (Risos.) Quero emagrecer uns 3 quilos e ganhar mas sa muscular. Mas não consigo malhar como gostaria.

Como mantém o equilíbrio?

Faço ioga com o professor Antonio Tigre e vou à terapia uma vez por semana. Ioga e meditação ajudam a relativizar as coisas. Não dá para pirar porque fez sucesso e esquecer quem é. A vida é cheia de altos e baixos.

Acredita em Deus?

Sim. Creio em uma força maior, na energia que as pessoas trocam, no poder da vontade e no Deus que há dentro da gente. Acho importante orar, se proteger. Tenho um escapulário com imagens de Maria e de Jesus que uma vez chegou a arrebentar sem que eu tocasse nele, na hora em que recebi um telefonema de uma amiga contando de alguém que sentia inveja de mim.

Como foi a decisão de se casar na Igreja?

O ser humano está sempre em busca da pessoa ideal, mas o que existe é a certa para cada um. Um dia, você diz: “Pá! É essa! Quero envelhecer com ela”. Não significa que tenha sido um impulso. Eu e a Roberta nos conhecemos há um ano e meio. Namoramos por cinco meses, ficamos separados por oito meses e voltamos. A gente já se curtia. Ela é especial, gosta demais da Catarina e é muito, muito importante na minha vida.

Você é do tipo que manda flores?

Já fiz até serenata para reconquistar uma garota! Eu não cantei, mas mandei dois caras cantarem (risos). Foi uma música do Lulu Santos. Não deu certo, mas não me arrependi. Gosto de mandar flores e bilhetes, dar presentes inesperados, mas não exagero. Mulher não gosta de homem fofo demais – ela pisa.

Sente ciúme?

Sou um pouco ciumento, mas nada extremo. Já cheguei a protagonizar ceninha em festa, quando era solteiro e via a mulher dançando com outro. Puxava pelo braço e tudo. Sabe essas coisas que a gente faz e depois se arrepende?

Dá para perdoar uma traição?

Eu perdoaria se a relação estivesse muito ruim. Mesmo assim, acho que ficariam sequelas. Se a coisa está boa, não tem por que procurar fora. Eu já traí, não sou hipócrita de negar. Mas hoje penso que é um desperdício de energia tão grande!

Quer ter mais filhos?

Mais um ou dois. Não importa o sexo, só que venham com saúde. Catarina já falou para mim e para Roberta que quer um irmãozinho.

(Revista Claudia)

Rádio Sol FM - Todos os Direitos Reservados